A Patagônia dos baqueanos
Muito antes de Torres del Paine virar parque nacional, a região era terra de estâncias de criação de ovelhas. Os baqueanos, cavaleiros que conheciam cada rio, cada passagem e cada abrigo do território, percorriam a cavalo essas planícies e vales ao pé do maciço Paine. Essa tradição continua viva: nas estâncias ao redor do parque ainda se trabalha a cavalo, com selas cobertas de pelegos de lã de ovelha, cães pastores e mate no fim do dia.
Percorrer Torres del Paine a cavalo permite ver a paisagem de outro jeito. Avança-se mais rápido do que a pé, cruzam-se rios e pampas por onde as trilhas de trekking não passam e, sobretudo, entende-se melhor a história pecuária da região, que faz parte da identidade de Magallanes tanto quanto as próprias Torres.
Tipos de cavalgada
As opções variam muito conforme o operador e a temporada, mas em geral podem ser agrupadas assim:
- Cavalgada de meio dia, de 2 a 4 horas, em terras de estância ou setores próximos ao parque. É a opção para quem nunca montou ou tem pouca experiência.
- Cavalgada de dia inteiro, com almoço no caminho, por vales, pampas e margens de lagos. Costuma exigir alguma experiência, porque são muitas horas sobre o cavalo e às vezes se galopa.
- Cavalgada combinada com caminhada: em algumas propostas, parte do caminho é feita a cavalo e depois se segue a pé, por exemplo em direção ao setor Chileno na rota para a base das Torres.
- Travessias de vários dias com baqueanos, dormindo em acampamentos ou postos de estância, por áreas pouco visitadas dentro e ao redor do parque. São para cavaleiros experientes e com bom preparo físico.
As cavalgadas dentro do parque seguem rotas autorizadas e com prestadores habilitados; não é possível chegar com um cavalo próprio e sair percorrendo por conta própria.
Nível necessário
Para uma cavalgada curta não é preciso experiência: os baqueanos escolhem cavalos tranquilos, explicam o básico antes de sair e avançam a passo. Para saídas de dia inteiro ou de vários dias, convém saber montar com desenvoltura a trote e a galope e estar acostumado a passar muitas horas na sela. Muitos operadores têm limite de peso e idade mínima, pelo bem-estar dos cavalos e pela segurança dos cavaleiros; pergunte ao reservar e seja honesto sobre seu nível, porque disso depende o cavalo que você vai receber.
Melhor época
A temporada principal vai de outubro a abril. Em dezembro e janeiro os dias são muito longos, com luz até tarde, e as temperaturas são as mais agradáveis do ano, embora raramente faça calor. A primavera (outubro e novembro) traz flores e pouca gente nas trilhas; o outono (março e abril) pinta de vermelho e amarelo as florestas de lenga e ñire. No inverno, muitas estâncias reduzem ou suspendem as saídas.
O grande protagonista do clima é o vento. Na primavera e no verão são frequentes as rajadas muito fortes, que se sentem especialmente na pampa aberta. Os baqueanos conhecem bem essas condições e ajustam a rota ou o horário quando necessário.
O que vestir e levar
- Calça comprida confortável e resistente, que não machuque a parte interna das pernas.
- Calçado fechado com um pequeno salto ou botas; evite tênis de sola muito larga, que podem prender no estribo.
- Jaqueta corta-vento impermeável e uma camada quente por baixo.
- Gorro ou chapéu bem preso ou com cordão, luvas e bandana tubular.
- Óculos de sol com cordão e protetor solar de fator alto: a radiação em Magallanes é alta mesmo com nuvens.
- Uma mochila pequena e bem ajustada, com água e algo para comer.
Muitos operadores fornecem capacete e, em alguns casos, perneiras ou polainas. Vale confirmar antes.
A fauna no caminho
A cavalo é fácil se aproximar da fauna sem espantá-la. Os guanacos aparecem em quase toda parte, e as emas cruzam a pampa em grupos. Os condores planam sobre os morros, e em alguns setores há raposas e caiquéns. O puma vive na região, mas vê-lo é raro e depende da sorte e do setor.
Como chegar
A porta de entrada de Torres del Paine é Puerto Natales, a cerca de duas horas de carro do parque. Chega-se a Puerto Natales de ônibus ou carro a partir de Punta Arenas, em um trajeto de umas três horas, ou em voo direto na alta temporada. Muitas cavalgadas incluem traslado desde Natales ou desde as hospedagens do parque.
Para entrar no parque é preciso ter o ingresso comprado on-line em pasesparques.cl. Desde maio de 2026 existem ingressos de um dia e de vários dias; confira a modalidade mais adequada antes de viajar. Se a cavalgada for em uma estância fora do parque, o ingresso pode não ser necessário; consulte o operador.
Regras do parque
Torres del Paine já sofreu incêndios graves causados por visitantes, e as regras sobre fogo são rígidas: é proibido fazer fogo fora das áreas habilitadas, e não se pode fumar nas trilhas. Respeite as rotas autorizadas, não alimente os animais e leve seu lixo de volta.
Guias locais e cavalgadas no Trekonda
No Trekonda você pode ver as cavalgadas em Torres del Paine e os guias locais de Torres del Paine, e escrever diretamente para eles, sem comissão de intermediários. Pergunte o tempo real sobre o cavalo, o nível exigido, o número de cavaleiros por baqueano, o equipamento fornecido e o que acontece se o vento obrigar a mudar o plano.
Perguntas frequentes
Posso fazer uma cavalgada se nunca montei?
Sim, nas saídas curtas de meio dia. Os baqueanos escolhem cavalos tranquilos e avançam a passo.
Qual é a melhor época para cavalgar em Torres del Paine?
De outubro a abril. Dezembro e janeiro têm os dias mais longos; outubro, novembro e março costumam ser mais tranquilos.
As cavalgadas entram no parque nacional?
Algumas sim, por rotas autorizadas; outras são feitas em estâncias vizinhas com vista para o maciço Paine. Confira o percurso de cada cavalgada em Torres del Paine antes de reservar.
O que acontece se ventar muito?
O baqueano pode encurtar a saída, mudar a rota ou adiá-la. É uma decisão de segurança para cavaleiros e cavalos.