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O que fazer em Chiloé: natureza e cultura na Isla Grande

Chiloé

Uma ilha com identidade própria

Chiloé é um arquipélago ao sul de Puerto Montt, e sua ilha principal, a Isla Grande, é a segunda maior do Chile. Durante séculos ficou relativamente isolada do continente, e isso se nota: tem arquitetura própria em madeira, uma mitologia cheia de personagens como o Trauco, a Pincoya ou o navio fantasma Caleuche, uma cozinha baseada em frutos do mar e batatas nativas, e tradições comunitárias como a minga. Ao mesmo tempo, o lado oeste da ilha guarda florestas úmidas, dunas e praias abertas ao Pacífico que pouca gente percorre.

Como chegar e se locomover

De Puerto Montt se vai por terra até Pargua e dali se cruza o canal de Chacao em uma balsa que leva cerca de 30 minutos e sai com muita frequência durante o dia. Os ônibus de Puerto Montt para Ancud e Castro atravessam na mesma balsa. Também há voos para o aeródromo de Mocopulli, perto de Castro e Dalcahue.

Na ilha, as distâncias são curtas, mas o transporte público para as áreas rurais é limitado. Para visitar igrejas, praias e o parque nacional com liberdade, o mais prático é ter carro ou sair com um guia local. Castro, no centro da ilha, é a base mais cômoda; Ancud, no norte, fica bem para a pinguineira.

As igrejas de madeira, Patrimônio da Humanidade

No arquipélago há mais de 150 igrejas e capelas de madeira, e 16 delas foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela UNESCO entre 2000 e 2001. Sua origem remonta às missões jesuítas dos séculos XVII e XVIII, que desenvolveram uma forma de construir com madeiras nativas, encaixes e técnicas de carpintaria continuadas pelos franciscanos e pelas próprias comunidades.

Algumas imperdíveis:

  • A igreja de San Francisco de Castro, na praça da cidade, com sua fachada colorida.
  • A igreja de Dalcahue, à beira-mar e ao lado da feira de artesanato.
  • A igreja de Achao, na ilha Quinchao, uma das mais antigas do conjunto. Chega-se por uma curta travessia de balsa a partir de Dalcahue.
  • As igrejas de Nercón, Chonchi e Vilupulli, no centro e no sul da ilha.

Os horários de abertura variam, e algumas igrejas só abrem para a missa ou na alta temporada. Respeite as celebrações religiosas se coincidirem com sua visita.

As palafitas de Castro

As palafitas são casas de madeira construídas sobre estacas à beira-mar, pensadas para que as famílias tivessem acesso à água e à terra ao mesmo tempo. Em Castro há vários bairros de palafitas, como Gamboa e Pedro Montt, e muitas viraram cafés, hospedagens e lojas. A melhor hora para vê-las é na maré alta, quando a água chega às estacas; na maré baixa aparece o fundo de lama e a paisagem muda por completo.

Pinguins em Puñihuil

Em frente à praia de Puñihuil, na costa oeste perto de Ancud, há ilhotas onde nidificam pinguins-de-humboldt e pinguins-de-magalhães, um dos poucos lugares onde se veem as duas espécies juntas. As ilhotas são uma área protegida e não se desembarca: o passeio é feito em pequenos barcos que saem da própria praia e dura cerca de 40 minutos. A temporada de pinguins vai mais ou menos de setembro a março, e as saídas dependem do clima, das ondas e das marés. Além dos pinguins, é comum ver leões-marinhos, cormorões e outras aves marinhas.

Parque Nacional Chiloé e Cucao

Na costa do Pacífico, o Parque Nacional Chiloé protege florestas sempre verdes, turfeiras, lagos e dunas. O acesso mais visitado é por Cucao, a pouco mais de uma hora de Castro, onde há trilhas curtas pela floresta e rumo às dunas e à praia, adequadas para quase todos. As trilhas mais longas entram em áreas isoladas e exigem mais preparo. Leve sempre roupa impermeável: nessa costa chove com frequência em qualquer época.

O Muelle de las Almas

Perto de Cucao, no setor de Punta Pirulil, uma obra de madeira criada pelo artista Marcelo Orellana avança sobre o vazio no alto de uma falésia diante do Pacífico. Ela se inspira na crença de que as almas dos mortos esperavam nessa costa por um barqueiro que as levasse para o outro lado. Chega-se por uma caminhada de pouco mais de uma hora, ida e volta, por terrenos particulares que cobram entrada; a trilha costuma estar enlameada e, na alta temporada, há fila para a foto no píer.

Cultura e gastronomia

  • O curanto é o prato mais emblemático: frutos do mar, carnes, batatas, milcao e chapaleles cozidos sobre pedras quentes em um buraco na terra, cobertos com folhas de nalca. Em muitos lugares é preparado na panela (curanto en olla); o tradicional "al hoyo" é mais fácil de encontrar na alta temporada.
  • A feira de artesanato de Dalcahue oferece tecidos de lã, cestaria e produtos locais, e tem uma área de comidas com pratos caseiros.
  • A mitologia chilota está presente no artesanato, nos museus e nos relatos dos próprios moradores; um guia local pode contar histórias que não aparecem nos folhetos.

Melhor época

Chiloé tem clima temperado e úmido, com chuva distribuída ao longo do ano. De dezembro a março há mais dias limpos, temperaturas mais agradáveis e mais serviços abertos, mas também mais visitantes. Fora desses meses a ilha é mais tranquila e autêntica, mas convém contar com chuva e levar roupa adequada. Para ver pinguins, prefira o período de setembro a março.

Quantos dias reservar

Em dois dias dá para ver Castro, uma ou duas igrejas e a pinguineira. Com três ou quatro dias somam-se Dalcahue, a ilha Quinchao, o Parque Nacional Chiloé e o Muelle de las Almas sem pressa. Quem quiser fazer trilhas longas ou percorrer as ilhas menores precisa de mais tempo.

Guias locais em Chiloé

No Trekonda você pode ver as experiências de natureza em Chiloé e os guias locais de Chiloé, e escrever diretamente para eles, sem comissão de intermediários. Um guia chilote ajuda a combinar igrejas, marés e horários das embarcações, que na ilha mudam de um dia para o outro.

Perguntas frequentes

Como se atravessa para Chiloé?
De balsa a partir de Pargua pelo canal de Chacao, em uma travessia de cerca de 30 minutos. Também há voos para Mocopulli, perto de Castro.

Quando se veem pinguins em Puñihuil?
Mais ou menos de setembro a março, dependendo do clima e do estado do mar.

Dá para percorrer Chiloé sem carro?
Sim, mas com mais tempo: há ônibus entre as cidades principais, embora sejam escassos para as áreas rurais. Uma saída guiada resolve os deslocamentos.

O que ver em Chiloé em um dia?
Castro com suas palafitas e sua igreja, e Dalcahue com sua feira. Para a natureza da ilha, veja as saídas de natureza em Chiloé.